Publicado em: 07/04/2016 16:20:09.552
A professora doutora Jussara Santos Pimenta, do departamento de Educação da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) publicou, em parceria com o professor português Aires Antunes Diniz, pesquisador do grupo de Trabalho História da Educação e Herança Cultural da Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade do Porto (Portugal), o trabalho intitulado “A Revista Portugal Feminino e o luso-brasileirismo” no número 176 (Julho-Agosto-Setembro de 2015) da revista Vértice, de Lisboa, Portugal.
A Vértice é uma revista portuguesa de arte e cultura e foi fundada, em Coimbra, no ano de 1942 e, a partir de fevereiro de 1945, transformou-se num instrumento de resistência à ditadura do Estado Novo. Como um espaço de intervenção cultural, oferece aos seus leitores um extenso leque de temas que vão desde a criação artística, literária, filosófica e científica, como à realidade econômica, social e política.
Resumo do Artigo
Muitas foram as tentativas de portugueses e brasileiros para o estabelecimento de boas relações, ainda que essas encobrissem objetivos muito mais políticos e econômicos. Em muitas ocasiões os governos dos dois países pouco fizeram para que essa comunidade realmente se estabelecesse, mantendo-se omissos em relação a questões mais polêmicas ou que demandavam um maior comprometimento político. A verdadeira promoção de boas relações e do estabelecimento do tênue elo entre os dois povos frutificou muito mais intensamente e em função do trabalho desenvolvido pelos literatos. Esses, mais que aqueles, encontraram formas de materializá-las em eventos e publicações que dessem a possibilidade de esse encontro se tornar realidade. Entretanto, essa era uma preocupação que estava restrita ao mundo literário masculino. Portugal Feminino talvez tenha sido a primeira iniciativa feita por e para mulheres e que se propôs a discutir e difundir o assunto entre o público luso-brasileiro feminino. O periódico circulou de fevereiro de 1930 a 1937 e não tinha fins lucrativos, perfazendo um total de oitenta e seis (86) números lançados. Contava com a colaboração de mulheres de renome e de destaque nos círculos ilustrados da sociedade lisboeta da época tais como Tereza Leitão de Barros, Ana de Castro Osório, Fernanda de Castro, Branca de Gonta Colaço, Sara Afonso, entre outras, e com a cooperação de várias de suas leitoras que por terem compreendido todo o alcance cultural e educativo da obra, se responsabilizaram, como delegadas da missão de contribuir para a expansão da revista Portugal Feminino nas localidades onde residiam tanto em Portugal quanto no Brasil. Entremeando temas culturais, pedagógicos, políticos e sociais que ocuparam a centralidade das temáticas veiculadas em suas páginas, a revista trazia em suas páginas artigos que ofereciam a esse público feminino o que as idealizadoras entendiam como sendo importante para as suas leitoras: mulheres modernas, educadas, cultas e atuantes na sociedade. A revista contribuiu para a circulação de novas representações, prescrevendo práticas sintonizadas com as novas exigências da vida moderna. Tomando a revista como fonte documental, procuramos entender como as ideias nela compartilhadas contribuíram para promover e difundir o projeto de intercâmbio e o estabelecimento de uma comunidade luso-brasileira feminina, discutindo como a revista Portugal Feminino construiu e procurou legitimar o seu projeto de intercâmbio luso-brasileiro entre o seu público leitor. O texto foi desenvolvido em três eixos: num primeiro momento temos a caracterização do periódico, sua frequência, periodicidade e estratégias editoriais, em seguida identificamos quem são as suas interlocutoras e suas principais ideias e num terceiro momento analisamos os textos a fim de esclarecer e desvelar os sentidos e significados da proposta da publicação.