Programa de extensão da UNIR promove formação continuada de professores indígenas


Publicado em: 29/03/2016 12:43:23.171


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   O Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia (GPEA), do Departamento de Ciências Humanas e Sociais (DCHS) da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Ji-Paraná, desenvolve o Programa de Extensão Universitária Pamakóbáe Poutígie (Ikolen) Imayahmây nã kamã (Karo). O programa teve início em dezembro de 2015 e vai até novembro de 2017 e é realizado em parceria com a Secretaria de Educação de Rondônia (SEDUC), Coordenadoria Regional de Ensino de Ji-Paraná (CRE) e Núcleo de Educação Escolar Indígena (NEEI).

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 Dividido em dois subprojetos, o objetivo é desenvolver estudos de formação continuada junto aos professores indígenas e à comunidade dos Povos Gavião Ikolen (Projeto de Extensão Universitária – Povo Indígena Ikolen “Pamakóbáe Poutígie) e Arara Karo (Projeto de Extensão Universitária – Povo Indígena Karo “Imayahmây Nã Kamã”), na Terra Indígena Igarapé Lourdes. Ao todo, serão atendidos 17 professores indígenas Ikolen e 12 professores Karo, que atuam no ensino fundamental da rede pública estadual.

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   O programa é coordenado pela professora doutora Josélia Gomes Neves e pelos professores mestres Quesler Camargo e Andreia Maria Pereira. Conforme explica a professora Josélia Neves, docente do DCHS/UNIR, a contribuição com a formação dos professores indígenas acontece a partir da realização de uma assessoria pedagógica para orientação e elaboração do Projeto Político Pedagógico Intercultural (PPP I) e de um material didático bilíngue, específico e diferenciado com foco na melhoria da educação escolar indígena.
   No total, serão realizados nove encontros. A primeira etapa de 2016 aconteceu nos dias 7 e 8 de março, na Aldeia Ikolen, e o segundo encontro começou ontem, 28, e termina hoje, 29, na Aldeia I’Tarap. Ambos contaram com a participação dos professores das respectivas comunidades e discutiram a elaboração de um calendário para as atividades do programa.
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   De acordo com Josélia Neves, as especificidades das escolas indígenas, como a língua e os costumes, exigem um calendário diferenciado e intercultural, além de ser também um elemento importante do Projeto Político Pedagógico. “Na oportunidade, foi possível sistematizar, a partir dos conhecimentos indígenas, a primeira parte do calendário específico, diferenciado e intercultural que será apreciado com deliberação pela comunidade”, disse a professora.
   O calendário diferenciado leva em consideração os feriados e datas comemorativas importantes para os povos indígenas e inclui os 200 dias letivos e as 800 horas anuais previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e no Parecer 13/2012 das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena.
   Um exemplo desta integração é a tradicional atividade cultural, econômica e sustentável de “Coleta da Castanha” que o povo Gavião realiza anualmente e neste ano acontecerá de 14 a 30 de novembro. Antes desse período, os professores preparam os estudantes e as famílias para as tarefas que deverão ser feitas nesta etapa, envolvendo diferentes componentes curriculares, como Língua Portuguesa, Língua Materna, Matemática, Ciências, Sustentabilidade, História, dentre outros, adequando-os às turmas, por meio de uma abordagem intercultural e interdisciplinar escrita, oral e tecnológica.
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   Entre as atividades solicitadas aos alunos no período, destacam-se: escrever um texto, em língua materna, sobre os animais caçados no período da coleta da castanha; anotar a quantidade de sacas de castanha coletadas semanalmente; observar e registrar, nas duas línguas, as ferramentas utilizadas pelos pais na coleta; localizar as castanheiras através de mapas; e fazer o levantamento do mito da castanha, entre outros, junto aos índios mais velhos da aldeia.
   “Portanto, é possível observar que as datas comemorativas que fazem sentido para os indígenas são diferentes das nossas, exceto o dia 19 de abril que continuam mantendo. O trabalho coletivo aqui desenvolvido reflete uma efetiva organização dos trabalhos escolares sistematizado em um calendário próprio, que leva em conta suas atividades econômicas, sociais, culturais e religiosas como preconiza a legislação para as escolas indígenas com vistas à construção de uma escola participativa, de sentidos e autônoma”, concluiu Josélia Neves.

   O Programa de Extensão Universitária Pamakóbáe Poutígie (Ikolen) Imayahmây nã kamã (Karo) está vinculado ao GPEA/UNIR na Linha de Pesquisa “Antropologia Etnopedagógica: povos indígenas, interculturalidade e currículo” e ao componente curricular “Educação com os Povos da Floresta”, do Curso de Pedagogia do campus de Ji-Paraná. A carga horária total do programa corresponde a 288 horas, sendo 144 horas para cada subprojeto.