Primeiros acadêmicos indígenas colam grau em Licenciatura em Educação Básica Intercultural


Publicado em: 18/11/2015 09:53:44.864


\"\"  Ao todo, 16 acadêmicos indígenas da primeira turma do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus de Ji-Paraná, que ingressaram em 2009, concluíram o curso e colaram grau em regime especial em quatro solenidades ocorridas nos meses de outubro e novembro de 2015. 
   Participaram do momento histórico os acadêmicos Gisele de Oliveira Montanha (Puruborá), Joaton Suruí (Suruí), Sebastião Gavião (Arara), Zacarias Kapiaar Gavião (Gavião), Carlos Aikanã (Aikanã), Iran Kav Sona Gavião (Gavião), Naraykopega Suruí (Suruí), Luzia Aikanã (Aikanã), Isaias Tupari (Tupari), Wem Cacami Cao Orowaje (Orowaje), Adriano Pawah Suruí (Suruí), Gamalono Suruí (Suruí), José Palahv Gavião (Gavião), José Roberto Jaboti (Djeoromitxi), Roberto Sorabah Gavião (Gavião) e Vandete Jaboti (Djeoromitxi). \"\"
   O diretor do Campus de Ji-Paraná, professor doutor Ariveltom Cosme da Silva, coordenou as solenidades de colação de grau, onde estiveram presentes vários familiares dos acadêmicos, entre filhos, esposas, irmãos e mães, além de docentes e técnicos da UNIR e o coordenador da Organização Indígena Padereéhj, Delson Gavião.
   O formando Zacarias Kaapiar Gavião destacou a importância da formação para a qualidade das escolas indígenas do estado. 
   O líder indígena Heliton Gavião saudou o ato simbólico como uma ação importante para todos os Povos Indígenas, o qual permitiu o acesso, a permanência e a finalização desta etapa significativa das vidas dos novos professores.
    Os acadêmicos que colaram grau foram aprovados no concurso para professor da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (SEDUC).
\"\"                                                                                    Educação Básica e Intercultural
   O curso de Licenciatura em Educação Básica e Intercultural, destinado a formar docentes indígenas, constitui uma das maiores novidades da UNIR, pois é um curso específico e diferenciado voltado aos interesses das populações indígenas. O curso foi criado no ano de 2008 e instalado em 2009. Ingressaram no curso 187 acadêmicos, a partir de quatro processos seletivos, sendo que os dois primeiros foram específicos para professores e professoras no exercício da docência nas escolas das comunidades indígenas. \"\"
   O curso tem duração de cinco anos, sendo os três primeiros anos voltados à formação para atuação no Ensino Fundamental e os dois últimos para a formação de uma das quatro áreas específicas: Ciências da Linguagem Intercultural, Ciências do Sociedade Intercultural, Gestão Intercultural e Ciências na Natureza e da Matemática Intercultural.          
   O chefe do Departamento de Educação Intercultural (DEINTER), professor mestre José Joaci Barboza, explica que o curso foi criado para atender a demanda existente das comunidades e povos indígenas por uma educação e uma escola diferenciadas.
 \"\" “Os direitos foram assegurados pela constituição cidadã de 1988, e mantidos a duras penas e com muitas lutas, levando em conta os interesses contrariados do agronegócio, das madeireiras e mineradoras que continuam tencionando o estado para revisar as demarcações de territórios existentes e impedindo demarcações futuras. Nesse contexto, a educação escolar indígena diferenciada pode ser um instrumento de fortalecimento dessas lutas”, destacou Barboza.
   Segundo o professor, no estado de Rondônia a demanda por uma educação superior e específica para a formação de professores indígenas iniciou em 2007, a partir da conclusão da primeira turma do projeto de formação de professores indígenas em nível de magistério, criado pela SEDUC, o AÇAÍ. Desde então, as lideranças cobravam da universidade que oferecesse uma licenciatura para formar os seus professores. \"\"
   O curso de Licenciatura está estruturado e em funcionamento no Campus de Ji-Paraná, em prédio próprio. O Departamento de Educação Intercultural conta com 14 docentes. Cem por cento dos acadêmicos recebem auxílios permanência, moradia, transporte e alimentação para assegurar o deslocamento dos seus municípios de origem até a sede do curso, além de assegurar a permanência dos estudantes no curso. 
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