Publicado em: 15/12/2011 05:29:52.399
O Grupo de Estudos e Pesquisas sobre modo de vida e culturas amazônicas- GEPCULTURA da Universidade Federal de Rondônia, aprovou três de seus pesquisadores no Processo Seletivo para o Curso de Doutorado em Geografia da Universidade Federal do Paraná-UFPR, no processo seletivo para inicio em 2012: Marcos Aurelio Marques, Sheila Castro dos Santos e Antenor Alves Silva.
Sheila Castro dos Santos Poss0ui Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal de Rondônia (2009). Finalizou seu curso de mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Rondonia sob orientação do Prof. Dr. Josué da Costa Silva. Atualmente é membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre Modos de Vidas e Culturas Amazônicas - GEPCULTURA. Tem experiência na área Mestrado em Geografia (2010), com título Experiência e Narrativa: Geografia Oral com Judeus. E, cursando bacharelado em Geografia (2011).
Linha de Pesquisa: Território, Cultura e Representação.
Algumas questões fundamentais para entendimento da ação humana no espaço faz-se necessária para compreensão de como é constituído o santificado e de que modo ocorre essa valoração simbólica a um lugar ou a um objeto. Nesta pesquisa busco identificar e analisar o lugar santificado, evidenciando os fenômenos de representação indispensáveis ao processo da formação cultural judaica, compreendendo como se desenvolve a construção da espacialidade experienciada por esses indivíduos.
Entende-se que os indivíduos que praticam a religião judaica, ou outra religião para entrarem em contato com o sobrenatural muitas vezes necessitam de lugar determinado e específico. Em coletivo, escolhem o lugar para realizar este contato, após esta escolha dá-se início ao processo de santificação do lugar, este ocorre com palavras, ações, ritos e símbolos, com tal ação busca-se a integração entre o humano e o sobrenatural. Diante desse contexto, entende-se que, o lugar santificado possui características próprias atribuídas a ele de diferentes modos. Então, como especificar, compreender e evidenciar quais estágios são necessários para que o lugar esteja apropriado para o contato do humano com o sobrenatural? E, de que modo ocorre a santificação do lugar
Entendo que o lugar é onde as particularidades são explícitas, é o ponto fixo em que os anseios se mostram, no lugar as transformações culturais são materializadas e evidenciadas, desse modo, ao compreender as especificidades que existem no lugar onde o rito é realizado, pois cada lugar é um ponto específico, carregado de valores culturais materiais e fenomenológicos, que lhes são atribuídos de acordo com a necessidade do grupo de manter sua fé. Evidenciar-se-á os estágios que levam os indivíduos a santificarem um lugar, pois ao acreditar que o lugar escolhido para realização do ritual é impregnado por características que conduzem o humano a chegar-se ao sobrenatural. Dessa maneira o grupo institui ao lugar santificação, com especificidades únicas de sua crença.
Para tal pesquisa utilizarei um arcabouço teórico que será enriquecido no decorrer das atividades investigativas, contudo ela parte do princípio de uma pesquisa em Geografia Humana com ênfase na Geografia Cultural que possibilitará maior compreensão da categoria geográfica de lugar e do valor simbólico atribuído pelo ser humano a este lugar. Dispus-me do método hermenêutico-fenomenológico, este amplia a interpretação das experiências e leituras encontradas no decorrer da pesquisa e possibilita de maneira mais fluida perceber as representações criadas, recriadas e reproduzidas que estão intrínsecas no vivido diante do coletivo. Como metodologia usarei a pesquisa qualitativa participativa, esta por sua vez possibilita idas a campo para que o pesquisador observe e participe das manifestações culturais do grupo pesquisado, desse modo, visa o aprofundamento na vivência e na compreensão do mundo.
Marcos Aurelio Marques
Possui graduação em Licenciatura em Letras Português Francês pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (2003). Possuí o título de Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Rondonia, sob orientação do Prof. Dr. Josué da Costa Silva. Atualmente é membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre Modos de Vidas e Culturas Amazônicas - GEPCULTURA. Tem experiência na área de Letras e Ciências Sociais, com ênfase em Literatura Francesa e Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: Literatura Brasileira, Ciências Sociais, Educação, Língua Portuguesa e Língua Francesa.
Projeto de pesquisa de doutoramento: Geografia em Affonso Romano de Santanna: Território e Pós-Colonialismo em A Grande Fala Do Índio Guarani Perdida Na História e Outras Derrotas
Linha de Pesquisa: Território, Cultura e Representação.Entendemos que é possível utilizar os conceitos de Bakhtin sobre dialogismo, uma vez que o trabalho envolvendo geografia e literatura é pautado por um amplo diálogo no qual as duas áreas se enriquecem justamente por conta da conversa que estabelecem.
Nesse sentido, dar-se-á início à execução deste projeto, destacando as questões que nos guiarão nesta investigação e a serem aprofundadas durante o desenrolar da pesquisa. É mister saber: Como a Geografia contribui para o entendimento da literatura e como a literatura pode contribuir para um a leitura geográfica do mundo? Que importância tal abordagem tem para a geografia? Pode a leitura geográfica dos textos literários, pautada em uma metodologia, constituir-se em uma forma de teoria literária?
Os objetivos da pesquisa é analisar as relações que podem ser encontradas entre geografia e literatura, com a perspectiva de investigar a relação dos signos literários com a representação do mundo, contribuindo para o entendimento da relação espaço-temporal que se pode extrair a partir de um texto literário.
Antenor Alves Silva graduado em Geografia pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e Mestre em Geografia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), sob orientação do Prof. Dr. Josué da Costa Silva, Pesquisa a importância do território e o seu reordenamento no contexto da nova ordem mundial considerando tal dinâmica espacial nas escalas regional e mundial.
Projeto de pesquisa de doutoramento: A Nova Ordem Mundial: uma análise do reordenamento territorial em Jean Gottmann.
Linha de Pesquisa: Produção e Transformação do Espaço Urbano e Regional
Desde o momento histórico em que o homem percebeu que poderia compreender a sua realidade através da leitura e interpretação da dinâmica do espaço que o cerca, passou, por consequência, a ter maior noção da sua função na produção desse mesmo espaço.
Todavia, não se pode afirmar que essa construção se tratou de um processo necessariamente rápido, considerando a escala temporal humana, mas exigiu séculos para que tal mudança qualitativa de vivência espacial fosse internalizada e institucionalizada pelas mais diversas formas de governo.
Nesse decurso cumulativo de apropriação dos recursos espaciais, as sociedades e seus governos aperfeiçoaram paulatinamente a concepção da disposição espacial em detrimento de um simples descricionismo determinista. Assim, as formas das paisagens, naturais e não naturais, passavam a admitir novas funções espaciais e o território projetado sobre esse espaço também.
Assim, sob a apreensão dessa premissa histórica, que leva em conta a evolução dos conceitos geográficos que envolvem a construção do território como categoria de análise, deve-se considerar ainda que as relações sociais têm se tornado cada vez mais complexas haja vista o contínuo reordenamento territorial ao qual as mais diversas organizações sociais, e nas mais diversas escalas, são submetidas.
Em todo caso, mesmo considerando a atual complexidade territorial do mundo, é possível verificar a ação de um poder hegemônico, como um somatório de forças convergentes, que administra toda essa lógica reordenadora do território, um dos elementos fundamentais para a existência dos Estados-Nação modernos.
O fim da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, foi um divisor de águas dos mais nítidos da história contemporânea, e, por consequência, um extraordinário início de recorte temporal para a análise e compreensão do reordenamento territorial do mundo de hoje. Era, sem dúvida, o estabelecimento de uma nova ordem mundial.
A nova ordem é o produto de uma ordem pré-existente, afinal, a existência do novo pressupõe a precessão do antigo, do velho. Embora carregue traços estruturantes da ordem anterior, a nova ordem é muito mais algo que se ignorava do que os significados expostos anteriormente. Ordem, do latim, ordo, entre outros significados, fala de arranjo, disposição conveniente ou modo de ser. Mundial fala da espacialidade envolvida na expressão, além do mais, de uma escala. Passa a fazer sentido quando se compreende que é o limite das maiores ações reordenadoras da espécie humana. Em outras palavras, a hegemonia no processo de reordenamento territorial será reconsiderada sempre que os limites espaciais e suas funções político-econômicas forem reajustados.
Nesses termos, nova ordem mundial é um problema que implica na análise de três variáveis distintas, explícitas em sua própria denominação: a temporal (nova), a política (ordem) e a espacial (mundial). Uma vez que possui a variável espacial, portanto, é passível de ser objeto de estudo da Geografia Política, especialmente em nível estatal, onde as nuances típicas da escala local são homogeneizadas.
Portanto, levando em conta a complexidade da interação espacial dos componentes teóricos envolvidos no reordenamento territorial em escala mundial, desde as Conferências de Bretton Woods, em 1944, e, continuamente, após a Segunda Guerra Mundial, é possível vislumbrar essa discussão epistemológica em parte da relevante produção científica do ucraniano Jean Gottmann, especialmente tendo como um possível ponto de partida a leitura analítica do clássico The significance of territory, de 1973, e de outros ensaios correlatos à temática territorial do mesmo autor.
O problema central proposto por este projeto, como já apresentado, está na tangibilidade do próprio conceito nova ordem mundial e a relação desse conceito com a ciência geográfica. Pois, empiricamente, e quando cogitado, o reordenamento territorial mundial tende a ser concebido como uma grande teoria da conspiração, que ocorre sazonalmente, assim que forças ocultas se somam e agem para que eventos políticos ou econômicos se convertam a seu favor.
Em outras palavras, esta proposta está disposta não a materializar o imaterializável, mas propor uma estética teórica que dê conta da complexidade geopolítica atual, em nível mundial, após a análise territorial metódica que ajudará a explicar muitos dos fenômenos geopolíticos modernos e seus efeitos.
Sempre sob o viés geográfico, o reordenamento territorial em escala macro deve ser visto, sobretudo, como a mudança da função do território através do tempo, conforme apontado na parte introdutória deste projeto.
É nesse momento da pesquisa que a contribuição de Jean Gottmann se faz relevante haja vista sua capacidade de análise de reordenamento territorial através de uma fase que corresponde ao período entre guerras (1933) até meia década após a queda do Muro de Berlin (1994) o que lhe permite uma leitura geográfica privilegiada da reorganização política e econômica do mundo que abrange desde, entre outros eventos históricos, a utilização dos primeiros aviões em combate e a consequente luta pela soberania do espaço aéreo, a utilização de uma bomba atômica contra um Estado soberano, a ocupação da Antártida e o alvorecer da corrida espacial entre as duas maiores potências políticas na Guerra Fria.