MANIFESTO SOBRE A TRANSIÇÃO NA UNIR - Professor Júlio Rocha


Publicado em: 14/03/2012 13:13:04.622


Ilustres Colegas da UNIR, segmentos técnico, discente e docente:

Havendo participado como candidato na consulta à comunidade universitária, e, no ano passado, como grevista em diversas frentes de atuação, e hoje diante das fases mais sensíveis da transição pela qual passa a nossa Instituição, tendo sentido o pulso de uma boa parcela do Colégio Eleitoral, responsável pela escolha da lista tríplice no próximo dia 15 deste mês de março,

MANIFESTAMOS OS PONTOS ABAIXO:

1.Entendemos que a primeira fase da transição, a Consulta à Comunidade, transcorreu de modo límpido, com um excelente trabalho efetuado pela Comissão Eleitoral, que terá fixado as bases de como deverão atuar as próximas comissões, futuramente inclusive nos processos eleitorais nos diversos campi da UNIR, evitando incertezas de toda ordem. Pude parabenizar o seu presidente, no mesmo sábado, dia 3 de março, em que se levaram a cabo os trabalhos de finalização da contagem de votos. Foi um grande avanço o trabalho com as urnas eletrônicas! Poucos acreditaram ser possível quando lançamos o seu indicativo junto ao CONSUN, há poucas semanas atrás, deliberando positivamente por este pleito junto ao TRE, que nos apoiou imensamente! Sonhar é possível, ainda nas mais difíceis condições!

2.Nesse mesmo sábado, supracitado, antes da contagem final, buscando a pacificação de animosidades, naturais nesses processos, parabenizei a candidata vitoriosa na consulta, professora Berenice Tourinho, oferecendo o apoio da Direção do Núcleo de Ciências Humanas para a sua gestão e o meu empenho pessoal para ajudar a resolver os problemas, estes também naturais, que derivariam do amplo espectro de questões que estão por detrás do longo caminho que nos espera até a plenitude da normalização institucional acadêmica. A condição é haver combate ao ficha suja na representação da UNIR diante das instituições e órgãos da administração federal. A presidenta Dilma já vem sinalizando neste sentido; e a Universidade está cansada de ser mal vista, nos seus relacionamentos interinsticuionais, ao apresentarmos propostas, devido a personagens nada merecedores de consideração política interna. O futuro pode ser otimizado se levamos à frente os melhores princípios!

3.A segunda fase da nossa transição se dará na composição da lista tríplice, neste dia 15 de março. Além da candidatura vencedora, legalmente, qualquer docente da UNIR com doutorado poderá se inscrever, amanhã, perante o Colégio Eleitoral, inclusive os participantes no processo da Consulta à Comunidade. Entendemos contudo que somente deverão ser inscritas a vencedora da Consulta à Comunidade e mais duas candidaturas dispostas, pela fragilidade política e/ou pela firmeza de princípios, a renunciar em caso de serem cotadas, ou consultadas, por forças políticas com influência no governo federal, para assumir a Reitoria universitária. Não podemos pôr a perder todo um processo de luta política e social admitindo compor a lista tríplice com algum membro do nosso corpo docente que complique a posse de quem venceu a Consulta à Comunidade. Princípios éticos e senso comum, mais do que leitura anódina das normas da Lei, devem ser sobranceiras para a interpretação deste momento sensível da Universidade!

4.A terceira fase da nossa transição ocorrerá quando a lista tríplice estiver em Brasília, diante dos olhos da assessoria da presidenta Dilma Roussef. Assim, não obstante o jogo político que se desdobra, e apesar das vicissitudes curriculares de quem se apresente, à parte também a questão da ficha limpa de cada qual, espera-se que haja um processo de harmonização política, num movimento que admita a diferença no seio das considerações à bancada federal de Rondônia, por exemplo. Poder abraçar pessoas, sabedores de que estas diferem das suas ações censuráveis; a isso se chama harmonização institucional. Tratamento igualitário aos diversos partidos políticos, exibindo mãos limpas dos nossos representantes na UNIR; a isso se chama harmonização social. Esta química faz parte da vida pessoal e se integra no quadro da obtenção da confiança que se deseja, comunitariamente, no tensionamento do conjunto dos interesses, da Universidade, do Estado de Rondônia e do Brasil. É preciso despojamento e exigência, de modo equilibrado mas altaneiro. Somos Universidade!

5.A última fase da transição será realizada na composição da Administração Superior, quando poderemos, nos conselhos, debater acerca das bases para a gestão futura, com o ideal de reequilíbrio na disponibilidade dos recursos para todo o Estado de Rondônia. Devem-se observar todas as inquietudes sociais, em termos de admissão dos seus projetos, neste momento em que o Brasil dispõe de superávit orçamentário; devemos merecer uma gestão que ultrapasse a visão mesquinha e acanhada de simplesmente “buscar recursos”. Devemos contemplar com recursos, que há, e muitos, os anseios de uma Rondônia na qual a educação e o desenvolvimento já são uma realidade concreta e uma demanda crescente. Assim como, em pouco tempo, a Universidade Estadual do Amazonas obteve presença em 52 municípios, com o apoio do governo do Estado, todos os municípios de Rondônia e todas as áreas devem vir a ser contempladas, com laboratórios, pós-graduações, com ensino, pesquisa e extensão de nível superior! Para isso lutamos e para isso lutaremos!

6.Julgamos que as instituições brasileiras têm primado, nos nossos dias, por admitir um futuro em que o câncer da corrupção e a praga da covarde perseguição política às ideias diferentes fiquem fora de questão! Nunca jamais sofri perseguição na UNIR –exceto quando fui liberado para o meu doutoramento e tive de estar afastado do País por uma década. E até porque a nossa área de Humanidades sofreu reveses derivados dessa e de outras perseguições, devemos ter estas experiências em vista. A covardia neste tratamento que sofremos não pode retornar! Neste sentido, também coletivamente, teremos de nos acostumar a considerar todos os campi da UNIR com o mesmo diapasão, pois cada qual tem as suas missões na promoção do desenvolvimento local, na formação de capital intelectual para a defesa das riquezas da Amazônia, dentre elas o nosso patrimônio cultural, e portanto deve considerar todos os espaços, e mais os novos que virão, para a expansão e a melhoria da qualidade do ensino, pesquisa e extensão, com equitatividade, de modo a contornar denúncias de privilegiamento a uns em detrimento de outros. Pude manifestar naquele sábado retrofalado a nossa preocupação neste sentido, uma vez que cada campus foi identificado pela sua preferência eleitoral. [Veja-se ]

7.Consideramos, em suma, que a próxima gestão deve promover uma política que favoreça por igual a construção de grandes espaços físicos, num Plano de Desenvolvimento Institucional integrado, que contorne o problema dos “puxadinhos” e dos planejamentos pulverizados. Lembremos que a nossa luta, e para isso contamos com a sociedade civil organizada, começou quando perdemos até mesmo salas de aula e o fornecimento de água, telefone e outros serviços básicos, imprescindíveis ao funcionamento das nossas atividades cotidianas. O estabelecimento de uma Estatuinte, já sintonizada com o projeto de lei que virá a criar uma nova ordenação universitária, integrada no País como um todo, deve ser o nosso Oriente. O fortalecimento social deriva do cumprimento dos seus anseios, ao final de uma jornada de luta! Merecemos isso.

8.Finalmente, quero manifestar gratidão ao conjunto da comunidade universitária, a partir daqueles que, de modo sereno e nobre, sem insultos, sem omissões e sem agressões que poderiam perturbar este processo, declararam a sua escolha limpidamente. Agradeço a aquelas pessoas que nos apoiaram até o fim. Ademais, também a quem, com leveza d’alma, nos proporcionou a sua posição favorável a uma outra candidatura. Agradeço ainda ao nutrido pessoal que nos procurou, manifestando, na reta final do procedimento da Consulta à Comunidade, que mudaria de posição, buscando o chamado voto útil, para evitar que outra candidatura lograsse vitória. Todos estes foram leais, favoráveis primeiro que tudo ao crescimento da Universidade, que é a única coisa que importa! Futuramente, um processo que contemple dois turnos, como já existe em outras IFES, possibilitaria superar essa dualidade de grupos em que se debate a nossa Universidade há décadas. Mas isso é outra História e será outra transição. Por hoje, a luta é outra, e continua, e muito ainda temos de andar até superarmos a imagem da corrupção e da incompetência que acompanha há tempos os mais diversos espaços da atividade pública neste País! Lutar cada dia e sempre, em Rondônia, é para os fortes. A UNIR provará que sabe fazer sempre o bom combate!

Júlio César Barreto Rocha

Diretor do Núcleo de Ciências Humanas

Ex-Candidato à Consulta à Comunidade da UNIR