UNIR é selecionada na 13ª edição do PET-Saúde: Clima


Publicado em: 30/06/2026 13:42:50

O projeto promoverá ações de formação, vigilância e comunicação para enfrentar os desafios climáticos.


A Universidade Federal de Rondônia (UNIR), por meio da Faculdade de Ciências da Saúde (Facisa), teve sua proposta “Emergências Climáticas na Amazônia Rondoniense: Cuidado, Vigilância e Comunicação em Saúde com Equidade” aprovada na 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde, o PET-Saúde: Clima.

O projeto envolverá 60 bolsistas, entre docentes, profissionais dos serviços de saúde e estudantes de diferentes cursos da UNIR, que desenvolverão ações voltadas aos impactos das mudanças climáticas na saúde da população amazônica.

A aprovação amplia a participação da Universidade em uma agenda nacional que integra desafios climáticos, saúde e organização dos serviços públicos, fortalecendo a formação profissional e as estratégias de cuidado em regiões especialmente vulneráveis a eventos climáticos extremos.

O lançamento do projeto ocorreu na manhã desta terça-feira, em Porto Velho, juntamente com o lançamento do edital de seleção de candidatos ao programa (saiba mais aqui).

O que é o Pet-Saúde: Clima?
Com duração de 24 meses, o PET-Saúde: Clima é uma iniciativa do Ministério da Saúde desenvolvida em parceria com instituições de ensino superior e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Seu objetivo é fortalecer a formação acadêmica e profissional na área da saúde por meio de ações voltadas ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas nos territórios e na qualidade de vida da população, com foco na equidade, na vigilância em saúde, na educação permanente e no fortalecimento das redes de atenção.

Em Rondônia, o programa será coordenado pela UNIR e executado em parceria com as Secretarias Municipal (Semusa) e Estadual (Sesau) de Saúde. De acordo o coordenador do projeto, professor Eduardo Paschoal, docente do curso de Enfermagem da UNIR, as mudanças climáticas produzem impactos que vão além do surgimento ou agravamento de doenças específicas.

“Quando falamos de saúde, não tratamos apenas de doenças. Eventos climáticos extremos afetam moradia, renda, alimentação e outras condições de vida. Precisamos preparar profissionais e serviços para responder a esses desafios”, afirma Eduardo.

Para o professor João Paulo Gobo, docente da graduação e da pós-graduação em Geografia da UNIR e tutor do PET-Saúde: Clima na UNIR, a aprovação do projeto representa uma conquista estratégica para o fortalecimento do SUS em Rondônia e para a atuação da Universidade diante dos desafios climáticos e de saúde na Amazônia. Segundo ele, a iniciativa amplia a integração entre ensino, pesquisa e extensão e contribui para a produção de informações científicas capazes de subsidiar políticas públicas e qualificar os serviços de saúde.

Cooperação interinstitucional
Além das secretarias de saúde, o projeto contará com a colaboração da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Rondônia), por meio do Centro de Clima e Saúde em Rondônia (CCSRO), inaugurado em Porto Velho em 2025. 

Primeiro centro do país dedicado à interface entre clima e saúde na Amazônia, o CCSRO participará das atividades de formação, das imersões em campo e do desenvolvimento de ações de vigilância, monitoramento e comunicação em saúde.

Eixos de atuação e atividades

O PET-Saúde: Clima articula ensino, serviço e comunidade, tendo a Atenção Primária à Saúde como eixo estruturante. O projeto foi organizado em cinco Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs), dedicados ao cuidado em saúde, à vigilância climática, ao letramento em saúde, à produção de conhecimento e à comunicação de risco.

As atividades incluem visitas a serviços de saúde e a comunidades ribeirinhas, rodas de conversa com trabalhadores do SUS, oficinas educativas, diagnósticos territoriais e produção de materiais e produtos técnicos.

Entre os temas abordados estão os impactos das queimadas, das cheias e das secas extremas sobre a saúde da população, a qualidade do ar, as doenças transmitidas por mosquitos e as condições de vulnerabilidade social agravadas pelas mudanças climáticas.

“As questões climáticas exigem uma abordagem interdisciplinar. Precisamos compreender como esses eventos afetam os territórios, os serviços de saúde e as populações e, ao mesmo tempo, preparar os futuros profissionais para responder a esses desafios”, destaca o coordenador Paschoal.

Seleção e equipe interdisciplinar – As atividades do PET-Saúde: Clima têm início previsto para julho de 2026. Os editais de seleção de tutores, preceptores e estudantes já estão disponíveis no portal de editais da UNIR (acesse os editais aqui), e as inscrições estarão abertas de 30 de junho a 6 de julho de 2026.

O projeto prevê 60 bolsas, distribuídas entre 10 tutores docentes, 10 preceptores vinculados aos serviços de saúde e 40 estudantes de graduação, além de três orientadores de serviço, que atuarão de forma transversal nas atividades desenvolvidas.

As bolsas estudantis contemplam os cursos de Enfermagem, Medicina, Ciências Biológicas, Geografia, Psicologia, Ciências Sociais, Jornalismo e Pedagogia, reunindo diferentes áreas do conhecimento na discussão dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde.

“O PET permite que os acadêmicos vivenciem o mundo do trabalho, atuem em situações reais e contribuam diretamente com a população. A parceria entre universidade, serviços de saúde e gestores públicos amplia a capacidade de cuidado e gera impactos concretos para a região”, conclui João Paulo Gobo.