Curso de Jornalismo realiza terceira edição do Canoar


Publicado em: 11/12/2024 09:43:40

Evento reuniu estudantes, professores e jornalistas para discutir a cobertura da crise climática na Amazônia rondoniense


IMG_8338 (1) Realizado entre os dias 4 e 6 de dezembro, por estudantes do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia, o III Colóquio de Comunicação e Cultura na Amazônia Rondoniense (Canoar) destacou o debate sobre a cobertura da crise climática com comunicadores amazônidas.

O evento buscou aproximar a sociedade dos debates sobre comunicação e seu papel na preservação e no desenvolvimento da Amazônia. No dia 4 de dezembro, alunos e professores se reuniram para a abertura do evento, que neste ano teve como tema o "Jornalismo e a cobertura da crise climática na Amazônia rondoniense". Na quinta-feira, 5 de dezembro, o segundo dia da terceira edição do Canoar trouxe discussões sobre temas como alternativas de comunicação e o uso de plataformas de dados para a produção de conteúdo informativo socioambiental em Rondônia. Os dois primeiros encontros aconteceram na sede do Ministério Público do Trabalho de Rondônia e Acre (MPT-RO/AC), em Porto Velho (RO), reunindo diversos especialistas e comunicadores atuantes.

O segundo dia de evento contou com a participação do fotógrafo indígena do Centro de Medicina Olawatawah, Abner Paiter, da comunicadora indígena Taila Wajuru, do integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Breno Vinícius, e do mestre em geografia Flávio Santos.

Durante o debate, destacou-se a importância de entender o impacto das ações comunicativas e da produção de conteúdo. “Qual Amazônia conhecemos? São várias Amazônias dentro de uma, e é importante saber que a comunicação nela vai muito além de hoje. devemos usar a comunicação da nossa ancestralidade. É de extrema relevância saber de onde conversamos, a que lugar pertencemos e o que queremos comunicar”, afirmou Taila Wajuru.

IMG_7912De acordo com Joshua Lacerda, discente e vice-coordenador do III Canoar, falar com as pessoas vai além de simplesmente transmitir informações: requer cuidado, empatia e proximidade. "No contexto da crise climática, a comunicação social desempenha um papel crucial ao criar diálogos claros e acessíveis, conectando diferentes públicos às questões ambientais. Para jornalistas, compreender as dinâmicas da comunicação e estar aberto a novas ideias é essencial para produzir materiais que informem e, ao mesmo tempo, inspirem mudanças", comentou Joshua.

“O diálogo é poder. Devemos refletir sobre o motivo pelo qual estamos comunicando algo. É assistencialismo? Precisamos estabelecer conexões e contribuir para a construção de vozes independentes, possibilitando que todos tenham condições de se comunicar”, ressaltou Breno Vinícius, do MAB.

IMG_8269 Ferramentas - A comunicação em tempos de crise climática exige o uso de ferramentas eficazes para combater narrativas impostas pela mídia hegemônica. É preciso construir informações concretas e claras, utilizando recursos como vídeos, imagens e dados filtrados. O geógrafo Flávio Santos destacou que a plataforma Observa RO tem como objetivo universalizar o acesso a informações sobre políticas públicas e questões socioambientais em Rondônia. “Hoje em dia, é muito difícil romper o algoritmo que oculta a realidade. Por isso, a internet é crucial para a comunicação, e precisamos lutar pela democratização dessa ferramenta, dado o seu grande poder de utilidade”, explicou.

Já o fotógrafo indígena Abner Paiter ressaltou o papel das fotografias na preservação da memória cultural e da medicina tradicional. “Por meio das minhas fotografias, mostram a realidade do Centro de Medicina Olawatawah, o desenvolvimento de práticas medicinais indígenas e a ampliação da cultura ancestral. Meu pai disse que as primeiras comunidades indígenas fotografadas acreditavam que esses equipamentos capturavam suas almas, e hoje eu consigo congelar o tempo, contar histórias e manter a existência das nossas culturas por meio dos registros”, destacou.

MRS_5238

Oficinas e festa - O Canoar 2024 concluiu sua terceira edição na sexta-feira, 6, após três dias de atividades que discutiram o papel da comunicação na crise climática amazônica. O terceiro dia teve destaque nas oficinas realizadas no Ifro Calama.
Entre os destaques, Ana Lídia Daibes abordou estratégias de comunicação no poder público; Pablito Aguiar, João Assis e Juan Félix exploraram o uso de quadrinhos no jornalismo; Leylianne Alves falou sobre acessibilidade em mídias digitais; e Marcelo Moreira compartilhou técnicas de narrativa televisiva.

O encerramento aconteceu com uma festa no Taberna Café Cultural, animada pelos DJs Alt Benji, Peste e Paulo Arruda, celebrando o sucesso do evento. O Canoar 2024 reforçou a importância da comunicação como ferramenta para transformação socioambiental e já projeta novas edições.

Acesse aqui a galeria de fotos do III Canoar.

MRS_5416 IMG_8319 MRS_5338 

IMG_8137 MRS_5276 MRS_5554