Pesquisadores descobrem novas espécies de abelhas


Publicado em: 07/06/2024 12:32:39

Identificação de duas novas espécies evidencia a necessidade de preservação da riqueza biológica Amazônica


Duas novas espécies de abelhas sem ferrão foram descobertas pelo servidor técnico e pesquisador Cristiano Feitosa Ribeiro, do Campus de Presidente Médici da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), juntamente com os pesquisadores David Silva Nogueira (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas), Favízia Freitas de Oliveira (Universidade Federal da Bahia) e Marcio Luiz de Oliveira (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

A descoberta foi anunciada no artigo “Duas novas espécies de Trigona Jurine, 1807 com chave ilustrada para as espécies ocorrentes no Brasil (Hymenoptera: Apidae: Meliponini)”, publicado na revista Zootaxa (acesse aqui). No artigo são apresentadas as duas novas espécies de Trigona Jurine, 1807, além de uma chave ilustrada para as espécies encontradas no Brasil.

As novas espécies foram identificadas durante o projeto de pesquisa de mestrado de Cristiano, realizado entre 2019 e 2021 no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), e uma delas foi nomeada em homenagem ao estado de Rondônia, local onde foi encontrada a abelha usada para a descrição: Trigona rondoniensis. O exemplar usado para descrever a espécie foi coletado em um fragmento florestal no município de Ouro Preto do Oeste.

“Realizamos um estudo taxonômico das espécies de Trigona, um dos gêneros mais ricos em espécies de abelhas ‘sem-ferrão’ na região Neotropical, que possuíam registros de ocorrência na Amazônia brasileira. Por meio da análise de características morfológicas, nossos objetivos foram a redescrição das espécies que possuíam dados insuficientes para sua identificação correta, assim como a descrição de novas espécies que foram encontradas, além de fornecer registros geográficos e mapas de distribuição atualizados das espécies e elaborar uma chave de identificação das que ocorrem no Brasil”, descreveu Cristiano.

O pesquisador acrescenta que “mesmo que nosso estudo aborde principalmente questões relacionadas à taxonomia do gênero, nossa descoberta mostra a importância da conservação dos fragmentos florestais remanescentes no estado de Rondônia, pois eles podem ainda abrigar uma riqueza biológica valiosa, por vezes desconhecida pela ciência”.

Métodos de pesquisa - Foram examinados mais de 8.000 espécimes de Trigona que estavam depositados principalmente na Coleção de Invertebrados do Inpa, a maior parte desse material era oriundo da Amazônia brasileira. Com a análise de todo esse material, a equipe de pesquisadores descobriu cinco novas espécies em Trigona, três foram publicadas em 2023 no artigo intitulado “Review of Trigona (Nostotrigona) Engel, 2021 from Brazil with description of three new species (Hymenoptera: Apidae: Meliponini)”. As outras duas espécies novas foram publicadas recentemente, sendo elas a Trigona almeidae e Trigona rondoniensis.

Trigona é um dos gêneros com maior número de espécies de abelhas “sem-ferrão”, porém até a publicação do último artigo, não existiam chaves taxonômicas que contemplassem todas as espécies de Trigona que ocorrem no Brasil. "A chave taxonômica proposta por nós vem para suprir essa lacuna do conhecimento científico, e foi elaborada utilizando características morfológicas próprias das espécies, com ilustrações e fotos que auxiliam sua utilização. Nela contém um passo-a-passo com base nas características comparativas entre os espécimes para se chegar ao resultado da identificação, ou seja, ao próprio nome da espécie”, comentou Cristiano.

Com a publicação, Trigona agora contém 37 espécies válidas, sendo 27 com registros de ocorrência para o Brasil, consolidando como um dos maiores gêneros de abelhas “sem-ferrão”. “Para nós, que pesquisamos e amamos as abelhas, é muito gratificante poder contribuir de alguma forma para alavancar o conhecimento sobre esses insetos tão importantes para a natureza e para os seres humanos, visto que vários alimentos presentes em nossas mesas dependem da polinização realizada pelas abelhas”, disse o pesquisador.